Cadeiras

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Cadeira n. 69 - André Carneiro

Patrono da Cadeira n. 69 - Oswald de Andrade

André Granja Carneiro nasceu em Atibaia/SP, em 9 de maio de 1922. Foi um poeta, escritor, cineasta e artista plástico brasileiro. 

Cineasta, criou e dirigiu filmes de pesquisa artística, premiados aqui e no exterior. Roteirista, foi premiado no Concurso Nacional para Roteiros, no Quarto Centenário de São Paulo. Seu filme Solidão representou o Brasil no Concurso Internacional para Filmes Artísticos, sendo premiado na Inglaterra em 1952,e exibido na França e Itália.

Seu conto O Mudo foi transformado em filme de longa metragem, dirigido por Júlio Xavier da Silveira em produção da Embrafilme. Atuou no cinema publicitário dirigindo curtas metragens e comerciais na televisão.

Fotógrafo artístico, participou de vários salões nacionais e internacionais, tendo sido premiado no Brasil, Holanda e Itália.

Pintor e escultor, inovou a arte expondo seus trabalhos aos quais denomina “pintura dinâmica”, técnica na qual se vale de líquidos químicos imiscíveis ou não que tomam várias formas em compartimentos transparentes justapostos. Também realizou exposições de “Poesia Colagem”, técnica com a qual criou capas de livros de vários autores.

Jornalista, foi editor e criador do conceituado jornal literário TENTATIVA, 1949, apresentado por Oswald de Andrade, para o qual colaboraram, na época, os maiores escritores nacionais, como Sérgio Milliet, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Vinícius de Morais e outros.

Como contista e romancista alcançou repercussão mundial. “André Carneiro deu o salto internacional,” afirmou o crítico Fausto Cunha. É o único escritor brasileiro de “science-fiction” traduzido na Espanha, Argentina, França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, ltália, Bulgária, Suécia, Japão etc. Considerado mestre internacional do gênero, foi destaque da importante editora norte-americana Putnam na antologia The Definitive Year’s Best Selection, de 1973, que editou os melhores contos de Ficção Científica do Mundo. Também tem seus contos publicados numa antologia universitária americana ao lado de nomes como Solzhenitsyn, Rafael Alberti, Gabriela Mistral, Anton Chekhov, Behold Brecht, Tagore, D.H. Lawrence, Jacques Prévert, Cisneiros, Huxley, etc.

Seu romance Piscina Livre, 1980, traduzido na Suécia, alcançou sucesso critico. A.E. Van Vogt (USA) o comparou a Kafka e Albert Camus. A Dictionary of Contemporary Brazilian Authors afirma que André escreve “a mais original F. C. do Brasil”. Também o crítico espanhol Augusto Uribe o considera o melhor autor em literatura fantástica da América Latina. Daniel Barbieri (Argentina) o cita como “o mais destacado escritor latino-americano do gênero”. Dinah Silveira de Queiroz o trata por “nosso mestre da F.C.”, e Carlos Drummond de Andrade afirmou que, “em Piscina Livre, André exercita de maneira brilhante a originalidade de ficcionista”.

Seu nome consta como verbete de enciclopédias nacionais e estrangeiras. É o único membro na América do Sul do Science Fiction & Fantasy Writers of América, entidade profissional de escritores americanos.

Estreou na poesia com o livro Ângulo & Face, 1949, editado por Cassiano Ricardo, que afirmou: “seu poder de comunicação chega a ser contundente, fere mais do que a sensibilidade à flor da pele”. Esse primeiro livro, assim como os demais, sempre são recebidos com elogios de toda a crítica brasileira. José Geraldo Vieira destacou que “somente alguns dos seus poemas já bastariam para o inserir entre as melhores expressões do modernismo”. Otto Maria Carpeaux destaca “os versos comoventes de Ângulo e Face”.

Em Portugal, A. Garibaldi afirma que André é “um dos grandes nomes da lírica brasileira”.

Ferreira Gullar lamenta que “a poesia sóbria e humana de André Carneiro passe despercebida do grande público: seus poemas são construídos arquiteturalmente, num equilíbrio de verbalismo e emoção”. “Poesia autêntica, sem ornatos inúteis, direta e bela” na opinião de Pascoal Carlos Magno. Lígia Fagundes Teles declarou: “Temos um verdadeiro poeta pela frente”. Cristovam Pavia, conhecido poeta português, considerou a poesia de A.C. “de originalidade admirável, profunda e madura”. Roger Bastide disse: “amei a pureza e o senso de escolha das imagens e seu valor no conjunto, confirmando o que Sérgio Milliet já me havia falado”. Carlos Drummond de Andrade, noutra oportunidade, reiterou que a poesia de André Carneiro “transfigura as coisas cotidianas”.

“Uma continuidade modelar do Modernismo numa renovada e luminosa expressão”, escreveu Oswald de Andrade.

André Carneiro é um dos dois maiores poetas vivos brasileiros, segundo Bernard Lorraine, poeta e critico francês.

Ganhou inúmeros prêmios nacionais como o Machado de Assis, do Estado da Guanabara, Melhor Livro do Ano, da Câmara Municipal de São Paulo, Prêmio Alphonsus de Guimaraens, em 1966, da Academia Mineira de Letras, e o Prêmio Nacional Nestlé, 1988,com o livro Pássaros Florescem, ed.Scipione.

Sua obra poética foi estudada durante anos pelo Prof. de Literatura da UNESP, Osvaldo C. Duarte,como motivo de sua dissertação de Mestrado O Estilo de André Carneiro,aprovada com nota máxima e louvor em 1996.O Prof. Duarte ainda escreveu o ensaio A Ciência na Obra Poética de André Carneiro(2001).

André sempre trabalhou com a hipnose,publicou livros a respeito do tema e participou dos primeiros Congressos Internacionais de Parapsicologia apresentando trabalhos nesta área, sendo considerado autoridade no assunto.

Críticos americanos, espanhóis e argentinos o classificam como o melhor autor de conto fantástico da América Latina. &A.E. Van Vogt, escreveu que ele “merece a mesma importância de um Kafka ou um Camus”. Ganhou vários prêmios com seus livros de poemas e prosa. Único membro da América do Sul do Science Fiction & Fantasy Writers of America. O crítico francês Bernard Diez o considera o maior poeta vivo brasileiro. Foram escritas diversas teses acadêmicas de mestrado e doutorado sobre sua obra poética e sua prosa. André Carneiro escreveu também ensaios sobre Literatura e Hipnose Clínica. Vendeu recentemente para a Espanha os direitos para um filme do seu conto “Escuridão”, publicado nos EUA em antologia ao lado de ganhadores do Nobel de Literatura. Ao lado de Machado de Assis, Drummond, Aluisio Azevedo etc, em Antologia no Brasil, editora Casa da Palavra, Rio. A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo publicou em 2006 uma coleção facsimilada do seu jornal Literário “Tentativa”, com titulo desenhado por Aldemir Martins e “Apresentação de Oswald de Andrade”.

Exerceu, além da arte, sua atividade de Analista em Curitiba/PR.

André Carneiro foi escolhido "Personalidade do Ano de 2007" pelos editores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. 

Faleceu em Curitiba, 4 de novembro de 2014, aos 92 anos de idade. O corpo foi cremado, e as cinzas depositadas em uma árvore.

Livros Publicados

Ângulo & Face – poesia – Edart – SP – 1949
Diário da Nave Perdida – contos – Edart – SP – 1963
Espaçopleno – poesia – Clube de Poesia – SP – 1963
O Homem que Adivinhava – contos – Edart – SP – 1966
O Mundo Misterioso do Hipnotismo – ensaio – Edart – SP – 1963
Introdução ao Estudo da Ficção Científica – ensaio – Conselho Estadual de Cultura – SP -1967
Manual de Hipnose – ensaio – Ed. Resenha Universitária – SP – 1978
Piscina Livre – romance – Editora Moderna – SP – 1980
Pássaros Florescem – poesia – Ed. Scipione – SP – 1988
Amorquia – romance – Ed. Aleph – SP – 1991
A Máquina de Hyerônimus – contos – Universidade Federal de São Carlos -1997

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