Cadeiras

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Aracyldo Marques

                                                                            Patrono da Cadeira n. 55

Aracyldo Marques nasceu em Ilhéus na Bahia, filho de Otto Emerenciano e Brasilice Carvalho Marques, família tradicional de região, onde iniciou estudos. Em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fez o curso científico (equivalente ao ensino médio), ingressando após isso na Escola de Medicina do Rio de Janeiro. Veio para o Paraná em 1954. Neste estado, residiu em São João do Ivaí e Campina da Lagoa para, finalmente se fixar sua residência em Campo Mourão, onde viveu até seu falecimento.
 
Em Campo Mourão, exerceu a medicina na especialidade de psiquiatria e clínica geral, trabalhou em hospitais e no serviço público estadual. Também foi sócioproprietário de um dos primeiros hospitais desta cidade.
 
Provavelmente, sua peculiar veia literária foi favorecida por sua profissão, que na convivência com os diversos tipos humanos, captou de forma brilhante a alma de um povo interioriano. Ele conseguiu em seus romances mostrar o mosaico dessas vidas, retratando-as ficcionalmente com seus medos, sonhos, lutas, pecados, desejos, tristezas, derrotas e vitórias. Enfim retratou muito bem a humanidade que fez e manteve a história de Campo Mourão, da região e de outras regiões do Brasil. Sobretudo, ao dar vida às suas personagens ele retratava de forma ímpar a humanidade brasileira com suas singularidades, bem como o espaço e o tempo das mesmas, que se tornaram “documentos” muito ricos de  micro-histórias que podem revelar muito sobre a História do Brasil e da Humanidade, por assim dizer.
 
Estreou em 1968 com As Rosas Florescem em Maio, onde retrata o cotidiano, através de personagens que parecem tão conhecidos, da provinciana Campo Mourão naqueles dias.
 
E o Verde Voltará, publicado em 1971, livro de contos com temas ligados a colonização do Centro-Oeste do Paraná.. 

Em 1976 lança O Sino de Cobre,  no qual um menino em sessões de psiquiatria retoma sua infância e tudo o que decorre dela. 

Em 1982 publica O Tempo, Cavalo Doido. Neste romance traça a trajetória de um retirante nordestino. 

Em 1986, publica Extermínio, no qual trata das consequências da colonização ou da invasão pelos brancos, para grupos étnicos que viviam na terra, narra o povoamento de Ilhéus pelo castelhano Francisco Romero, e tem um episódio sobre a Batalha dos Nadadores. 

Em 1987 lança Templo da Solidão , onde narra o drama de Themístocles, um deficiente que se vê num mundo que não o aceita.
 
Em 1995 seu último livro publicado em vida: Demônios  do Planalto,  neste romance, a saga do Contestado pela visão do autor.

Em 1995, escreveu Os desbravadores, romance, que bem poderia ser um relato histórico da colonização de Campo Mourão. Neste livro a saga dos pioneiros dessa região, Aracyldo constrói um mundo que para muitos seria nostálgico, para outros, inacreditável. Contudo, ele delineia, mesmo que ficcionalmente, de forma fidedigna o que realmente era a vida de um desbravador, com seus sonhos e mazelas, desejos e derrotas.  Este livro foi lançado em 2014, na Unespar/Fecilcam, por iniciativa da família e da professora Sinclair Pozza Casemiro.
 
Aracyldo faleceu no dia 20 de abril de 1996, em Campo Mourão.

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